quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

A Trajetória I

"... Vivia com medo de viver!
Não se sabe do amanhã e isto sempre a deixou na incógnita de suas ações... Nunca foi boa em lidar com o inesperado.
O medo de tudo lhe criava uma barreira imperceptível aos seus olhos, mas que limitava e bastante o seu modo de viver e enfrentar o mundo.
Aliás, enfrentar o mundo sempre foi o que mais deixou de lado. Mal sabia o que a vida lhe reservava...
Nunca pensou em si realmente, o que importava era o bem-estar de outras pessoas. Vivia quase como uma gestão de caridade e isto acabava anulando o que realmente queria para si. Não pensava assim porque queria, mas porque não conseguia pensar diferente.
À medida que o tempo ia passando, foi percebendo um enorme vazio dentro de si. Sempre dizia que estava buscando a felicidade, mas de uma hora para outra se deu conta de que nunca havia feito algo para que a conquistasse de fato.

Não se achava importante, nem capaz suficiente para ir em busca do que acreditava. Mal sabia ela que a felicidade só viria se ela proporcionasse sua chegada. Que os momentos felizes só se dão a partir de nós mesmos. Nunca soube muito o que era ser feliz. Tinha a sensação de estar sempre devendo algo a alguém por sua falta de entendimento, talvez...

Sempre gostou de escrever, mas nunca achou quem lesse seus versos. Apreciava a música desde muito nova, mas na melodia da vida era totalmente descompassada.
Sempre tirava boas notas na escola, mas as oportunidades não acompanhavam os bons números de suas aprovações..."

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