"De encontro marcado, dá um jeito no cabelo, e a última olhada no espelho significa que a hora está se aproximando.
Sem querer se atrasar, olha para a porta de casa, mas volta a se olhar e percebe a ansiedade através de seu olhar, lembra o quanto quis que este momento chegasse. O medo do desapontamento tenta entrar na sua mente, mas a euforia não permite que ele se instale.
Com o sorriso no rosto bate a porta de casa, está prestes a se encontrar com alguém muito importante.
Durante o caminho não percebe nada ao redor, está aflita, quer chegar depressa... Nem se dá conta que está muito próxima do lugar marcado, mas tudo parece mais lento quando queremos correr.
Chega enfim, é uma linda praça com muitas árvores e flores, jardins belos e bem cuidados, caminhos para passear... Seu coração não cabe dentro de si... Sente uma brisa no rosto, leve como a primavera que acabara de chegar.
Olha para os lados e não vê nada de diferente daquela descrita paisagem, maravilhosa, aliás, como tinha imaginado para seu amor encontrar.
Resolve andar um pouco, para o momento passar, será que chegara cedo demais? Mas ao olhar em seu relógio, constata que a hora marcada havia passado e que o tempo talvez fosse mostrar algo que não queria, nem gostaria tampouco, mas que estava estampado em seu coração através do medo que vez ou outra lhe assombrava, o mesmo medo que expulsou ao sair de casa... Sentiu-se traída por seu próprio sentimento, seria esta sensação um aviso?
O gosto amargo dos pensamentos que o momento trazia lhe fazia mudá-los rapidamente. Preferiu acreditar que estava tudo certo e que o atraso poderia ser normal.
Mas o tempo passava, os ponteiros do relógio eram crueis para ela, que aguardava por tanto tempo a resposta do que sempre sentiu e julgava ser correspondida.
O sol estava indo embora e a praça foi revestida por um maravilhoso entardecer, mas nos olhos, fixos ao nada, apenas a certeza de que precisava retornar para casa. Não podia mais esperar, a vida não lhe condicionava mais esta possibilidade, porque percebeu que isto não podia ser felicidade.
Resolveu voltar logo, mas ainda assim olhou para trás na tentativa de encontrar o que a motivou estar lá.
Do amor restou-lhe a dor e a certeza de que ele não vive de forma isolada. Um não ama por dois, não luta sozinho e nem sequer muda o outro ser.
Seu caminho de volta foi mais lento, menos ansioso, mas a aflição continuava, pois sabia que teria de voltar para sua casa e encarar sua imagem no espelho, o seu olhar que lhe tentara avisar, de algo que já sabia que ia acontecer.
As vezes não queremos ver o óbvio, é mais fácil acreditar nas ilusões criadas na nossa mente vindas de um querer absurdo, intangível e necessário ao coração.
Entra em casa. O espelho está lá, no mesmo lugar. Sabe que é o confronto com a realidade. Preferia fugir, mas resolve encarar.
Vê-se mulher, linda, o seu olhar lhe cobra algo... Algo precisa mudar...
No seu olhar, a sensação que mais um dia chega ao fim, mas que com este ficará o que não quer mais, para que ao acordar, a vida nova encha o seu coração de paz...
A paz tão desejada..."

Quantas vezes a gente espera coisas que nunca virão, que fazem parte de desejos tão íntimos que nos condicionamos a acreditar no irreal? Sonhos e realidades se misturam numa busca louca de viver algo que sempre espera... A espera é aliada da paciência e nos mostra ser um atributo de grande valor, mas temos que ter os pés no chão para não viver numa eterna ilusão!
ResponderExcluir